sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

BANDEIRA A MEIO MASTRO, CAMINHADA, INAUGURAÇÃO DE PLACA, CULTO E MISSA REGISTARAM OS 100 ANOS  DA HECATOMBE DE GARANHUNS.
               
Arte: Jackson Fitipaldi. 

   No dia 15 de janeiro, uma das maiores tragédias por questões políticas do interior de Pernambuco e que repercutiu dolorosamente na sociedade brasileira, a Hecatombe de Garanhuns, completou 100 anos. o dia foi marcado por diversas reverências as principais vítimas do episódio histórico.  
Bandeira a meio mastro em frente ao Palácio Celso Galvão. 
   As atividades promovidas pela Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe em parceria com a Prefeitura de Garanhuns tiveram inicio ás 7 horas com  o hasteamento da bandeira de Garanhuns a meio mastro em frente ao Palácio Celso Galvão,  Projeto de Lei Nº 4352/2017 de autoria do vereador Audálio Ramos Machado Filho, ato que será repetido a cada 15 de janeiro em memória as vítimas da Hecatombe. 
Caminhada da Paz
   Membros da Comissão, autoridades e o Grupo de Amigos Caminhantes do Parque ás 8 horas saíram do Parque Euclides Dourado em caminhada pelas ruas da cidade até a loja de atendimento da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), sede da antiga cadeia pública da cidade, inaugurada em 1904 pelo prefeito Francisco Veloso da Silveira. No local, os caminhantes foram recebidos pela Orquestra Manoel Rabelo que executou músicas religiosas, o hino de Garanhuns e o toque de silêncio em homenagem as vítimas da centenária tragédia (Coronel Manoel Jardim, Tenente-Coronel Francisco Veloso, Coronel Argemiro Miranda, Capitão Júlio Miranda, Major Sátiro Ivo,  Dr. Antonio Borba Junior, Gonzaga Jardim, Cabo Antônio Pedro de Souza (Cobrinha) e os soldados Manoel João de Oliveira, Francisco Pinto Maciel, Pedro Antônio Dias e Ezequiel Cabral de Souza). O momento contou com a presença do Prefeito em Exercício, Haroldo Vicente, membros da Comissão da Memorial o Centenário da Hecatombe, representantes das famílias dos mortos na tragédia, Secretária de Comunicação social, Jacqueline Menezes, Controlador do Município, Glauco Brasileiro, que também é membro da Comissão do Memorial da Hecatombe. O descerramento da placa, que ficou fixada na entrada do prédio histórico, foi realizada pelo Prefeito em Exercício, Haroldo Vicente, Dr. Igor Galindo, Gerente da Unidade de Negócio da Compesa e Cláudio Gonçalves de Lima, Presidente da Comissão do Memorial da Hecatombe.
       Após o descerramento, foram plantadas duas mudas no jardim por duas integrantes dos Amigos Caminhantes do Parque, Selma Melo e professora Cicera.  
Descerramento da placa. 

     
Orquestra Manoel Rabelo. 
 Reproduzimos duas entrevistas do site da Prefeitura Municipal de Garanhuns realizadas no local por Aquiles Soares que faz parte da equipe de imprensa do Governo Municipal:
 “O fato é marcante não apenas para Garanhuns, mas para todo Pernambuco, já que foi uma das maiores tragédias políticas do estado. A comissão surgiu com esse objetivo, de resgatar figuras que foram importantes durante o episódio. Para que a população tome conhecimento do outro lado da história, não apenas da violência da hecatombe”, declarou o presidente da Comissão do Memorial, o professor Cláudio Gonçalves. 
Café da manhã - Sede da CDL-Garanhuns. 
O que foi a Hecatombe – O episódio, que aconteceu em 15 de janeiro de 1917, ficou marcado por ser uma série de assassinatos de comerciantes e políticos. O resultado da eleição teria motivado os assassinatos. Sales Vilanova, opositor político, matou o então prefeito eleito, Júlio Brasileiro, no dia 14 de janeiro, no Recife, capital do Estado. As outras pessoas foram assassinadas dentro da cadeia pública, onde estavam sob guarda. Os documentos mostram que mais de 15 pessoas foram mortas no período.Através de uma parceria com a Compesa, a sede da instituição permitiu que a comissão organizasse uma homenagem por meio de uma placa, que foi instalada na entrada do prédio onde ocorreu a chacina. Dentre os mortos no episódio estava o coronel Júlio Brasileiro, prefeito eleito na época e que não pode tomar posse por ter sido assassinado no dia 14 de janeiro daquele ano. “É importante ressaltar que apesar da tragédia, o que prevalece é a paz. O fato ficou na história do município, mas aquilo que houve no passado não reflete em nosso futuro. Nessa data realmente não há comemoração, a família apenas segue enlutada pelos cem anos da tragédia”, declarou o representante da família Brasileiro, o controlador municipal, Glauco Brasileiro. 
Culto Igreja Presbiteriana. 
    Na sequência foi oferecido um café da manhã aos presentes pelo Presidente da Câmara de Diretores Lojistas de Garanhuns, Geraldo Nogueira, na sede da Instituição. Complementando as atividades do centenário da Hecatombe de Garanhuns foi realizado um culto na Igreja Presbiteriana Central, ás 10 horas, ministrada pelo Pastor José Hugo Oliveira do Carmo e encerrando a programação aconteceu na Catedral de Santo Antônio, às 19:30 horas com a missa celebrada pelo padre Roberto Junior.  
Missa Catedral de Santo Antônio.
     Outras imagens deste evento e das palestras que aconteceram do dia 10 a 13 de janeiro de 2017 no Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns estão disponíveis no Grupo da Comissão no Facebook. Endereço para o acesso:  https://www.facebook.com/groups/1692869044306246/

  Agradecemos o apoio: Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns, Prefeitura Municipal de Garanhuns, Secretaria de Comunicação Social, Secretaria de Turismo e Cultura, Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação, AMSTT, Comando do 9º BPM, CDL-Garanhuns, Diocese de Garanhuns, Igreja Presbiteriana Central, Câmara de Vereadores de Garanhuns, SESC, COMPESA, Rádio Jornal, FM Sete Colinas, Marano FM, 87 FM, Jornal O Columinho, Jornal Cidade, Folha da Cidade, Correio Sete Colinas, Jornal o Monitor, Jornal Folha de Pernambuco, Jornal Diário de Pernambuco, blogueiros de Garanhuns e Região, os quais não citarei nomes para não omitir algum blog que contribuiu para a divulgação dos eventos, e por fim, a todos os membros da Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe de Garanhuns.  

sábado, 7 de janeiro de 2017

    HÁ CEM ANOS ACONTECIA A NOVA ELEIÇÃO PARA PREFEITO DE GARANHUNS.     
     
Tenente-Coronel Júlio Brasileiro. 

      Na eleição de 10 de julho de 1916, os resultados das urnas deram a vitória ao tenente-coronel Júlio Brasileiro, mas dias depois a eleição foi anulada, por motivo de inelegibilidade do deputado Júlio Brasileiro e a suspeita de títulos de eleitores duplicados. O governador Manoel Borba aliado do coronel Júlio Brasileiro, que pertencia ao seu partido (Partido Republicano Democrático), tomou como resolução marcar uma nova eleição para o dia 07 de janeiro de 1917, relegando os protestos da oposição. 

       A eleição de 07 de janeiro de 1917 aconteceu no domingo, desta vez, o coronel Júlio Brasileiro concorreu em chapa única, devido às desistências dos doutores Rocha Carvalho e Borba Junior que não concordaram a decisão do governador Manoel Borba. O capitão Thomaz Maia se mantinha como subprefeito na chapa. A eleição não deixou de serem marcadas por protestos, as manifestações foram lideradas por Francisco Grossi e o capitão Sales Vila Nova, que com um abaixo assinado solicitavam aos mesários das sessões eleitorais para que o documento fosse anexado as Atas de Votação, os lideres dos protestos, alegavam que muitos eleitores estavam votando com títulos antigos, pois em setembro de 1916 teria havia um novo alistamento e muitos eleitores não estavam aptos a votar. 

       Os partidários de Júlio Brasileiro incomodados com as manifestações afrontaram os líderes dos protestos com ameaças e xingamentos. Apesar de todo o tumulto, a eleição prosseguiu normalmente. O Resultado seria anunciado em 07 de fevereiro de 1917 e confirmaria a vitória do coronel Júlio Brasileiro, mas este não chegaria a tomar posse, em virtude, do trágico acontecimento no Café Chile em Recife, onde foi assassinado na noite de 14 de janeiro de 1917 pelo capitão Francisco Sales Vila Vila Nova, que suspeitava de ser o mandante do seu espancamento em Garanhuns em 12 de janeiro de 1917.  


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PROGRAMAÇÃO OFICIAL DO CENTENÁRIO DA HECATOMBE

Confira a programação oficial do Centenário da Hecatombe de Garanhuns, que acontece de 05 a 15 de janeiro de 2017. O fato histórico completará 100 anos no próximo dia 15 de janeiro e será lembrado com uma exposição, palestras, culto de ação de graça e missa.

Haverá também sessão solene na Câmara de Vereadores, caminhada e uma placa alusiva a data que será fixada no prédio da Compesa, na Praça Irmãos Miranda, local onde ocorreu o fato histórico. Naquela época, no local, funcionava uma delegacia e a cadeia pública da cidade.   

PROGRAMAÇÃO: 

05 a 30/01 – Exposição do Memorial da Hecatombe de Garanhuns. Local: Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns - Praça Dom Moura, 44 - Centro -  Horário: 08:00 às 17:00 horas.

10/01
– Apresentação dos trabalhos da Comissão da Hecatombe – Vereador Audálio Ramos Machado Filho. Local: Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns. Horário: 19:30 horas.

11/01
– Palestra: “O Cangaço no Agreste Meridional” – Professor e escritor Antônio Vilela. Local: Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns. Horário: 19:30 horas.

12/01
- Palestra: “Hecatombe de Garanhuns – Interpretação Baseada na Política Salvacionista” – Professor e Escritor José Cláudio Gonçalves de Lima. Local: Academia de Letras de Garanhuns. Horário: 19:30 horas.

13/01
– Sessão Solene Câmara de Vereadores de Garanhuns – Homenagem do 9º BPM ao Cabo Cobrinha e aos soldados mortos na Hecatombe de Garanhuns e palestra: O jovem Tenente Theophanes Ferraz Torres e suas enérgicas providências na Hecatombe de Garanhuns - Escritor Geraldo Ferraz – Horário: 19:30 horas.

15/01
– Caminhada da Paz “Caminhantes do Parque”– Saída ás 07:00 horas do Parque Euclides Dourado.

- Fixação de placa na Loja de Atendimento da Compesa (antiga cadeia). Local: Praça irmãos Miranda. Horário: 09:00 horas.

 - Culto na Igreja Presbiteriana Central. Horário: 10:00 horas.

- Missa na Catedral de Santo Antônio. Horário: 19:30 horas.

Apoio: Prefeitura Municipal de Garanhuns, Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns, Academia de Letras de Garanhuns, Compesa, 9º BPM, CDL, Caminhantes do Parque, Igreja Presbiteriana Central, Diocese de Garanhuns e SESC Garanhuns. 

domingo, 13 de novembro de 2016

COMISSÃO DO MEMORIAL DO CENTENÁRIO DA HECATOMBE REALIZA SÉTIMA REUNIÃO. 

Da esquerda para á direita: Ivonete Xavier, Antônio Vilela, Dra. Alba Regina, Walter Santana, Paulo Sérgio e Audálio Ramos

      A Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe, realizou no dia 10 de novembro no Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns a sua sétima reunião. No encontro os membros da Comissão avaliaram as ações dos meses anteriores e elaboraram o esboço da programação da semana do Centenário da Hecatombe, sendo planejado os eventos, com suas respectivas datas e locais e que serão apresentados no dia 16 de novembro a secretaria de comunicação. A programação pré-oficial foi delineada nesta perspectiva: 


 PROGRAMAÇÃO DO CENTENÁRIO

05 a 30/01 Exposição do Memorial da Hecatombe de Garanhuns  - 08:00 ás 17:00 horas – Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
09/01 – Lançamento do Selo alusivo ao Centenário – 19:30 horas - Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
10/01 Sessão Solene – “Palestra O Pequeno Mundo de Luís Jardim”- 19:30 horas – Academia de Letras de Garanhuns.
11/01 – Palestra:  “O Cangaço no Agreste Meridional” – Professor e escritor Antônio Vilela- 19:30 horas - Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
12/01 – Sessão Solene – Homenagem do 9º BPM ao Cabo Cobrinha e os soldados mortos na Hecatombe de Garanhuns e apresentação dos trabalhos realizados pela Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe - professor Cláudio Gonçalves – 19:30 horas – Câmara de Vereadores de Garanhuns.
13/01 – Palestra: “Hecatombe de Garanhuns – Interpretação Baseada na Política Salvacionista” –  Professor e escritor Cláudio Gonçalves de Lima – 19:30 horas - Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
15/01 Caminhada da Paz – Saída ás 08:00 horas do Parque Euclides Dourado.
 Fixação de placa na Loja de Atendimento da Compesa – Praça irmãos Miranda – 09:00 horas.
  Culto na Igreja Presbiteriana Central – 10:00 horas - Missa na Catedral – 19:30 horas

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Deputado Claudiano Martins Filho

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO REALIZARÁ SOLENIDADE PELOS 100 ANOS DA HECATOMBE DE GARANHUNS

   A Assembléia Legislativa do Estado realizará no dia 07 de novembro, ás 18:00 horas, o Grande Expediente pelo Centenário da Hecatombe de Garanhuns. O requerimento de nº 2387/2016 foi de autoria do Deputado Claudiano Martins Filho que foi aprovado pela Mesa da ALEPE. Em seu requerimento o deputado Claudiano Martins enfatizou o acontecimento histórico, mas destacando as figuras dos ex-deputados estaduais: Manoel de Antônio de Azevedo Jardim e Júlio Brasileiro. 
  Na solenidade foi convidado a fazer parte da Mesa do Legislativo, o prefeito e ex-deputado em três mandatos, Izaías Regis Neto. Na cerimônia será entregue uma placa alusiva ao acontecimento histórico.
   A solenidade prezará pela valorização da memória dos personagens políticos da Hecatombe de Garanhuns e sua contribuição para o desenvolvimento econômico, cultural e social de Garanhuns.
     A Hecatombe de Garanhuns, é um fato histórico marcante, mas ocorre num momento áureo da nossa história, no apogeu do café, da efervescência cultural, da prosperidade comercial, e da influência política e econômica de Garanhuns. Esse contexto muitas vezes é esquecido pela tragédia, e durante muitos anos as biografias de ilustres garanhuenses envolvidos na Hecatombe de Garanhuns ficaram sem o devido reconhecimento pelas ações e contribuições para a nossa História, mas o principal ideal da Comissão do Memorial da Hecatombe de Garanhuns, foi desde a sua instalação promover a valorização de suas memórias, e que agora com a Solenidade da ALEPE esse objetivo é alcançado. 
      Os nossos sinceros agradecimentos ao deputado Claudiano Martins Filho pela aprovação do Requerimento e valorização da História de Garanhuns,  a Assessora Parlamentar, Sandra Carolina Matos, a qual sempre com polidez nos repassava todos os encaminhamentos da Solenidade e ao Chefe de Gabinete Saulo Guimarães Malta, que nós deu total apoio ao projeto.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

                          EM 28 DE AGOSTO DE 1941 ERA ASSASSINADO 
                                           O CÔNEGO BENIGNO LIRA
                        ENTREVISTA COM JOSÉ BATISTA DOS SANTOS (ZUCA)
                                               TESTEMUNHA DOS FATOS 

  Nas muitas pesquisas que realizei durante 16 anos sobre a Hecatombe de Garanhuns, umas das entrevistas que me marcou foi a que aconteceu com o Senhor José Batista dos Santos, seu Zuca, que apenas em 2015 eu viria a saber que se tratava do pai do meu amigo de trabalho, Cleves Rossini dos Santos, funcionário municipal há 34 anos e 25 anos trabalhando no Arquivo Municipal. 

  Por meio de uma amiga tomei conhecimento que havia em Garanhuns uma senhora chamada Ismênia de Barros, que também depois fiquei sabendo que era uma testemunha ocular da Hecatombe de Garanhuns e avó de Cleves Rossini , e que a mesma residia no Condomínio Úrsula Moraes. No dia 14 de junho de 2001 fui até o condomínio e encontrei dona Ismênia, naquela ocasião com 99 anos.     Conversamos sobre a Hecatombe de Garanhuns, e fiquei sabendo que seus pais haviam morrido de bexiga, e o seu padrinho coronel Francisco Veloso da Silveira a criou por alguns meses, depois a entregando para ser criada por Aurélia Rosa Brasileiro. Entre lembranças e informações preciosas para o meu trabalho, perguntei sobre o Cônego Benigno, dona Ismênia me falou que ele havia criado o Colégio dos Meninos e era uma pessoa muito caridosa, mas foi nesse momento que para minha surpresa o senhor José Batista dos Santos me revelou que morava próximo ao Cônego Lira em Brejo da Madre de Deus, e no dia 28 de agosto de 1941 esteve com os seus pais no Sítio Barra do Faria, após o assassinato do Cônego. O que me impressionou no depoimento do Seu Zuca foram os detalhes das informações que pesquisando posteriormente em jornais, correspondem aos fatos e vão além do que foram noticiados nos periódicos da época.
             Depoimento do senhor José Batista dos Santos (Zuca) - 14 de junho de 2001. 
  Era quinta-feira, dia 28 de agosto de 1941, quando o Cônego Lira foi assassinado, eu tinha nove anos na época e morava no sítio Tabocas perto da sua fazenda, a Barra do Faria, hoje atual Santa Fé, na cidade de Brejo da Madre de Deus. O Cônego tinha um coração muito bondoso, era muito carinhoso com as crianças, sempre que a gente estava na catequese, ele nos dava frutas e ajudava  a quem precisava. uns vinte dias antes da sua morte, chegou na sua fazenda um senhor chamado Leopoldino com esposa e dois filhos, estava desamparado e pediu um lugar para morar, pois estava passando muitas dificuldades. O Cônego que sempre ajudava os mais pobres lhe deu uma casinha de taipa e trabalho para sustentar a família. Com um dos filhos adoentado a mulher desse morador, todos os dias pedia ao Cônego medicamentos e alimentos para as crianças. Cônego Lira ajudava no que podia. 
Cleves Rossini
   No dia 28 de agosto pela manhã, essa mulher foi a casa do Cônego para pedir mais remédios para colocar nas perebas do filho, e reclamou que os remédios que o Cônego Lira tinha lhe dado não faziam efeito. Cônego Lira disse que tinha apenas aquele medicamento, mas a mulher continuou insistindo, foi então que o Cônego ficou irritado e  disse  que ela fosse embora, porque ele não era feiticeiro. Essas palavras eu ouvi da empregada do Cônego contando no velório. A Mulher aborrecida retirou-se e foi para casa, quando o marido chegou do roçado, ela fez intriga, dizendo que o Cônego havia agredido ela. O esposo afiou uma faca e saiu para tomar uma satisfação com o Cônego Lira, dizendo que ele nunca mais bateria em mulher. Endiabrado se dirigiu a casa do Cônego, encontrando ele na porta, houve uma discussão e sem que o Cônego esperasse o Leopoldino deu uma facada no Cônego, que tentou escapar fugindo para dentro de casa, mas o Leopoldino alcançou o Cônego e deu mais 12 punhaladas, que faleceu na sala.  O Leopoldino saiu correndo e o administrador da fazenda José Rosa se atracou com ele, mas foi ferido de leve no braço, o assassino subiu o muro usando de um pé de goiaba, ferindo a mão, um corte profundo, mesmo ferido correu pelo Rio Taboca, saindo duas léguas num povoado. Seu Danda e José Danda, selaram um cavalo e perto do Sítio Catulé em Mandaçaia pegaram o sujeito. Amarraram o cabra em cima do cavalo e trouxeram para a fazenda do Cônego. Na fazenda estavam Durquinha e Zequinha que tiraram a roupa do Cônego e o colocaram na cama, quando eu cheguei com meus pais, eu vi o sangue que pingava do colchão no chão.
  O Leopoldino ficou num quarto todo amarrado. Na fazenda tinha muitos curiosos, fiéis, trabalhadores e amigos do Cônego, um senhor chamado Erasmo Campos, que era conhecido por Erasmo Gordo, família de Wilson Campos, deu um murro na cara do criminoso, mas as pessoas o seguraram, ele dizia que o Leopoldino era para ser morto ali mesmo. Depois chegaram ao local um bispo e alguns padres. Depois fiquei sabendo que a polícia chegou e levou o criminoso para Brejo.
    No velório as pessoas dizia que o Cônego morreu chamando o Leopoldino de ingrato por tudo que ele tinha feito por sua família. 
  O Cônego deixou o Sítio Curtume e um cavalinho branco, que depois foram arrendados pelo senhor Antônio Moreira. Eu me lembro do Cônego passando no cavalinho branco e dizendo pra gente ir a missa. 
Cônego Benigno Lira (12 /04/1883-28/08/ 1941)
 No outro dia a nossa família e muitas pessoas foram se despedir do Cônego Lira, que foi levado para ser enterrado no Recife. 
  Sempre me lembro dele. 
  José Batista dos Santos, nasceu em 01 de agosto de 1931, residiu durante muitos no Sítio Tabocas, no município de Brejo da Madre de Deus. Em 1993 veio para Garanhuns, falecendo em 26 de setembro de 2010. 
     
  Entrevista concedida ao Professor Cláudio Gonçalves.