domingo, 13 de novembro de 2016

COMISSÃO DO MEMORIAL DO CENTENÁRIO DA HECATOMBE REALIZA SÉTIMA REUNIÃO. 

Da esquerda para á direita: Ivonete Xavier, Antônio Vilela, Dra. Alba Regina, Walter Santana, Paulo Sérgio e Audálio Ramos

      A Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe, realizou no dia 10 de novembro no Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns a sua sétima reunião. No encontro os membros da Comissão avaliaram as ações dos meses anteriores e elaboraram o esboço da programação da semana do Centenário da Hecatombe, sendo planejado os eventos, com suas respectivas datas e locais e que serão apresentados no dia 16 de novembro a secretaria de comunicação. A programação pré-oficial foi delineada nesta perspectiva: 


 PROGRAMAÇÃO DO CENTENÁRIO

05 a 30/01 Exposição do Memorial da Hecatombe de Garanhuns  - 08:00 ás 17:00 horas – Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
09/01 – Lançamento do Selo alusivo ao Centenário – 19:30 horas - Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
10/01 Sessão Solene – “Palestra O Pequeno Mundo de Luís Jardim”- 19:30 horas – Academia de Letras de Garanhuns.
11/01 – Palestra:  “O Cangaço no Agreste Meridional” – Professor e escritor Antônio Vilela- 19:30 horas - Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
12/01 – Sessão Solene – Homenagem do 9º BPM ao Cabo Cobrinha e os soldados mortos na Hecatombe de Garanhuns e apresentação dos trabalhos realizados pela Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe - professor Cláudio Gonçalves – 19:30 horas – Câmara de Vereadores de Garanhuns.
13/01 – Palestra: “Hecatombe de Garanhuns – Interpretação Baseada na Política Salvacionista” –  Professor e escritor Cláudio Gonçalves de Lima – 19:30 horas - Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns.
15/01 Caminhada da Paz – Saída ás 08:00 horas do Parque Euclides Dourado.
 Fixação de placa na Loja de Atendimento da Compesa – Praça irmãos Miranda – 09:00 horas.
  Culto na Igreja Presbiteriana Central – 10:00 horas - Missa na Catedral – 19:30 horas

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Deputado Claudiano Martins Filho

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO REALIZARÁ SOLENIDADE PELOS 100 ANOS DA HECATOMBE DE GARANHUNS

   A Assembléia Legislativa do Estado realizará no dia 07 de novembro, ás 18:00 horas, o Grande Expediente pelo Centenário da Hecatombe de Garanhuns. O requerimento de nº 2387/2016 foi de autoria do Deputado Claudiano Martins Filho que foi aprovado pela Mesa da ALEPE. Em seu requerimento o deputado Claudiano Martins enfatizou o acontecimento histórico, mas destacando as figuras dos ex-deputados estaduais: Manoel de Antônio de Azevedo Jardim e Júlio Brasileiro. 
  Na solenidade foi convidado a fazer parte da Mesa do Legislativo, o prefeito e ex-deputado em três mandatos, Izaías Regis Neto. Na cerimônia será entregue uma placa alusiva ao acontecimento histórico.
   A solenidade prezará pela valorização da memória dos personagens políticos da Hecatombe de Garanhuns e sua contribuição para o desenvolvimento econômico, cultural e social de Garanhuns.
     A Hecatombe de Garanhuns, é um fato histórico marcante, mas ocorre num momento áureo da nossa história, no apogeu do café, da efervescência cultural, da prosperidade comercial, e da influência política e econômica de Garanhuns. Esse contexto muitas vezes é esquecido pela tragédia, e durante muitos anos as biografias de ilustres garanhuenses envolvidos na Hecatombe de Garanhuns ficaram sem o devido reconhecimento pelas ações e contribuições para a nossa História, mas o principal ideal da Comissão do Memorial da Hecatombe de Garanhuns, foi desde a sua instalação promover a valorização de suas memórias, e que agora com a Solenidade da ALEPE esse objetivo é alcançado. 
      Os nossos sinceros agradecimentos ao deputado Claudiano Martins Filho pela aprovação do Requerimento e valorização da História de Garanhuns,  a Assessora Parlamentar, Sandra Carolina Matos, a qual sempre com polidez nos repassava todos os encaminhamentos da Solenidade e ao Chefe de Gabinete Saulo Guimarães Malta, que nós deu total apoio ao projeto.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

                          EM 28 DE AGOSTO DE 1941 ERA ASSASSINADO 
                                           O CÔNEGO BENIGNO LIRA
                        ENTREVISTA COM JOSÉ BATISTA DOS SANTOS (ZUCA)
                                               TESTEMUNHA DOS FATOS 

  Nas muitas pesquisas que realizei durante 16 anos sobre a Hecatombe de Garanhuns, umas das entrevistas que me marcou foi a que aconteceu com o Senhor José Batista dos Santos, seu Zuca, que apenas em 2015 eu viria a saber que se tratava do pai do meu amigo de trabalho, Cleves Rossini dos Santos, funcionário municipal há 34 anos e 25 anos trabalhando no Arquivo Municipal. 

  Por meio de uma amiga tomei conhecimento que havia em Garanhuns uma senhora chamada Ismênia de Barros, que também depois fiquei sabendo que era uma testemunha ocular da Hecatombe de Garanhuns e avó de Cleves Rossini , e que a mesma residia no Condomínio Úrsula Moraes. No dia 14 de junho de 2001 fui até o condomínio e encontrei dona Ismênia, naquela ocasião com 99 anos.     Conversamos sobre a Hecatombe de Garanhuns, e fiquei sabendo que seus pais haviam morrido de bexiga, e o seu padrinho coronel Francisco Veloso da Silveira a criou por alguns meses, depois a entregando para ser criada por Aurélia Rosa Brasileiro. Entre lembranças e informações preciosas para o meu trabalho, perguntei sobre o Cônego Benigno, dona Ismênia me falou que ele havia criado o Colégio dos Meninos e era uma pessoa muito caridosa, mas foi nesse momento que para minha surpresa o senhor José Batista dos Santos me revelou que morava próximo ao Cônego Lira em Brejo da Madre de Deus, e no dia 28 de agosto de 1941 esteve com os seus pais no Sítio Barra do Faria, após o assassinato do Cônego. O que me impressionou no depoimento do Seu Zuca foram os detalhes das informações que pesquisando posteriormente em jornais, correspondem aos fatos e vão além do que foram noticiados nos periódicos da época.
             Depoimento do senhor José Batista dos Santos (Zuca) - 14 de junho de 2001. 
  Era quinta-feira, dia 28 de agosto de 1941, quando o Cônego Lira foi assassinado, eu tinha nove anos na época e morava no sítio Tabocas perto da sua fazenda, a Barra do Faria, hoje atual Santa Fé, na cidade de Brejo da Madre de Deus. O Cônego tinha um coração muito bondoso, era muito carinhoso com as crianças, sempre que a gente estava na catequese, ele nos dava frutas e ajudava  a quem precisava. uns vinte dias antes da sua morte, chegou na sua fazenda um senhor chamado Leopoldino com esposa e dois filhos, estava desamparado e pediu um lugar para morar, pois estava passando muitas dificuldades. O Cônego que sempre ajudava os mais pobres lhe deu uma casinha de taipa e trabalho para sustentar a família. Com um dos filhos adoentado a mulher desse morador, todos os dias pedia ao Cônego medicamentos e alimentos para as crianças. Cônego Lira ajudava no que podia. 
Cleves Rossini
   No dia 28 de agosto pela manhã, essa mulher foi a casa do Cônego para pedir mais remédios para colocar nas perebas do filho, e reclamou que os remédios que o Cônego Lira tinha lhe dado não faziam efeito. Cônego Lira disse que tinha apenas aquele medicamento, mas a mulher continuou insistindo, foi então que o Cônego ficou irritado e  disse  que ela fosse embora, porque ele não era feiticeiro. Essas palavras eu ouvi da empregada do Cônego contando no velório. A Mulher aborrecida retirou-se e foi para casa, quando o marido chegou do roçado, ela fez intriga, dizendo que o Cônego havia agredido ela. O esposo afiou uma faca e saiu para tomar uma satisfação com o Cônego Lira, dizendo que ele nunca mais bateria em mulher. Endiabrado se dirigiu a casa do Cônego, encontrando ele na porta, houve uma discussão e sem que o Cônego esperasse o Leopoldino deu uma facada no Cônego, que tentou escapar fugindo para dentro de casa, mas o Leopoldino alcançou o Cônego e deu mais 12 punhaladas, que faleceu na sala.  O Leopoldino saiu correndo e o administrador da fazenda José Rosa se atracou com ele, mas foi ferido de leve no braço, o assassino subiu o muro usando de um pé de goiaba, ferindo a mão, um corte profundo, mesmo ferido correu pelo Rio Taboca, saindo duas léguas num povoado. Seu Danda e José Danda, selaram um cavalo e perto do Sítio Catulé em Mandaçaia pegaram o sujeito. Amarraram o cabra em cima do cavalo e trouxeram para a fazenda do Cônego. Na fazenda estavam Durquinha e Zequinha que tiraram a roupa do Cônego e o colocaram na cama, quando eu cheguei com meus pais, eu vi o sangue que pingava do colchão no chão.
  O Leopoldino ficou num quarto todo amarrado. Na fazenda tinha muitos curiosos, fiéis, trabalhadores e amigos do Cônego, um senhor chamado Erasmo Campos, que era conhecido por Erasmo Gordo, família de Wilson Campos, deu um murro na cara do criminoso, mas as pessoas o seguraram, ele dizia que o Leopoldino era para ser morto ali mesmo. Depois chegaram ao local um bispo e alguns padres. Depois fiquei sabendo que a polícia chegou e levou o criminoso para Brejo.
    No velório as pessoas dizia que o Cônego morreu chamando o Leopoldino de ingrato por tudo que ele tinha feito por sua família. 
  O Cônego deixou o Sítio Curtume e um cavalinho branco, que depois foram arrendados pelo senhor Antônio Moreira. Eu me lembro do Cônego passando no cavalinho branco e dizendo pra gente ir a missa. 
Cônego Benigno Lira (12 /04/1883-28/08/ 1941)
 No outro dia a nossa família e muitas pessoas foram se despedir do Cônego Lira, que foi levado para ser enterrado no Recife. 
  Sempre me lembro dele. 
  José Batista dos Santos, nasceu em 01 de agosto de 1931, residiu durante muitos no Sítio Tabocas, no município de Brejo da Madre de Deus. Em 1993 veio para Garanhuns, falecendo em 26 de setembro de 2010. 
     
  Entrevista concedida ao Professor Cláudio Gonçalves.
   

    
    EM 28 DE AGOSTO DE 1941 ERA ASSASSINATO O CÔNEGO BENIGNO LIRA
                        ENTREVISTA COM JOSÉ BATISTA DOS SANTOS (ZUCA)
                                               TESTEMUNHA DOS FATOS 

  Nas muitas pesquisas que realizei durante 16 anos sobre a Hecatombe de Garanhuns, umas das entrevistas que me marcou foi a que aconteceu com o Senhor José Batista dos Santos, seu Zuca, que apenas em 2015 eu viria a saber que se tratava do pai do meu amigo de trabalho, Cleves Rossini dos Santos, funcionário municipal há 34 anos e 25 anos trabalhando no Arquivo Municipal. 

  Por meio de uma amiga tomei conhecimento que havia em Garanhuns uma senhora chamada Ismênia de Barros, que também depois fiquei sabendo que era uma testemunha ocular da Hecatombe de Garanhuns e avó de Cleves Rossini , e que a mesma residia no Condomínio Úrsula Moraes. No dia 14 de junho de 2001 fui até o condomínio e encontrei dona Ismênia, naquela ocasião com 99 anos.     Conversamos sobre a Hecatombe de Garanhuns, e fiquei sabendo que seus pais haviam morrido de bexiga, e o seu padrinho coronel Francisco Veloso da Silveira a criou por alguns meses, depois a entregando para ser criada por Aurélia Rosa Brasileiro. Entre lembranças e informações preciosas para o meu trabalho, perguntei sobre o Cônego Benigno, dona Ismênia me falou que ele havia criado o Colégio dos Meninos e era uma pessoa muito caridosa, mas foi nesse momento que para minha surpresa o senhor José Batista dos Santos me revelou que morava próximo ao Cônego Lira em Brejo da Madre de Deus, e no dia 28 de agosto de 1941 esteve com os seus pais no Sítio Barra do Faria, após o assassinato do Cônego. O que me impressionou no depoimento do Seu Zuca foram os detalhes das informações que pesquisando posteriormente em jornais, correspondem aos fatos e vão além do que foram noticiados nos periódicos da época.
             Depoimento do senhor José Batista dos Santos (Zuca) - 14 de junho de 2001. 
  Era quinta-feira, dia 28 de agosto de 1941, quando o Cônego Lira foi assassinado, eu tinha nove anos na época e morava no sítio Tabocas perto da sua fazenda, a Barra do Faria, hoje atual Santa Fé, na cidade de Brejo da Madre de Deus. O Cônego tinha um coração muito bondoso, era muito carinhoso com as crianças, sempre que a gente estava na catequese, ele nos dava frutas e ajudava  a quem precisava. uns vinte dias antes da sua morte, chegou na sua fazenda um senhor chamado Leopoldino com esposa e dois filhos, estava desamparado e pediu um lugar para morar, pois estava passando muitas dificuldades. O Cônego que sempre ajudava os mais pobres lhe deu uma casinha de taipa e trabalho para sustentar a família. Com um dos filhos adoentado a mulher desse morador, todos os dias pedia ao Cônego medicamentos e alimentos para as crianças. Cônego Lira ajudava no que podia. 
Cleves Rossini
   No dia 28 de agosto pela manhã, essa mulher foi a casa do Cônego para pedir mais remédios para colocar nas perebas do filho, e reclamou que os remédios que o Cônego Lira tinha lhe dado não faziam efeito. Cônego Lira disse que tinha apenas aquele medicamento, mas a mulher continuou insistindo, foi então que o Cônego ficou irritado e  disse  que ela fosse embora, porque ele não era feiticeiro. Essas palavras eu ouvi da empregada do Cônego contando no velório. A Mulher aborrecida retirou-se e foi para casa, quando o marido chegou do roçado, ela fez intriga, dizendo que o Cônego havia agredido ela. O esposo afiou uma faca e saiu para tomar uma satisfação com o Cônego Lira, dizendo que ele nunca mais bateria em mulher. Endiabrado se dirigiu a casa do Cônego, encontrando ele na porta, houve uma discussão e sem que o Cônego esperasse o Leopoldino deu uma facada no Cônego, que tentou escapar fugindo para dentro de casa, mas o Leopoldino alcançou o Cônego e deu mais 12 punhaladas, que faleceu na sala.  O Leopoldino saiu correndo e o administrador da fazenda José Rosa se atracou com ele, mas foi ferido de leve no braço, o assassino subiu o muro usando de um pé de goiaba, ferindo a mão, um corte profundo, mesmo ferido correu pelo Rio Taboca, saindo duas léguas num povoado. Seu Danda e José Danda, selaram um cavalo e perto do Sítio Catulé em Mandaçaia pegaram o sujeito. Amarraram o cabra em cima do cavalo e trouxeram para a fazenda do Cônego. Na fazenda estavam Durquinha e Zequinha que tiraram a roupa do Cônego e o colocaram na cama, quando eu cheguei com meus pais, eu vi o sangue que pingava do colchão no chão.
  O Leopoldino ficou num quarto todo amarrado. Na fazenda tinha muitos curiosos, fiéis, trabalhadores e amigos do Cônego, um senhor chamado Erasmo Campos, que era conhecido por Erasmo Gordo, família de Wilson Campos, deu um murro na cara do criminoso, mas as pessoas o seguraram, ele dizia que o Leopoldino era para ser morto ali mesmo. Depois chegaram ao local um bispo e alguns padres. Depois fiquei sabendo que a polícia chegou e levou o criminoso para Brejo.
    No velório as pessoas dizia que o Cônego morreu chamando o Leopoldino de ingrato por tudo que ele tinha feito por sua família. 
  O Cônego deixou o Sítio Curtume e um cavalinho branco, que depois foram arrendados pelo senhor Antônio Moreira. Eu me lembro do Cônego passando no cavalinho branco e dizendo pra gente ir a missa. 
Cônego Benigno Lira (12 /04/1883-28/08/ 1941)
 No outro dia a nossa família e muitas pessoas foram se despedir do Cônego Lira, que foi levado para ser enterrado no Recife. 
  Sempre me lembro dele. 
  José Batista dos Santos, nasceu em 01 de agosto de 1931, residiu durante muitos no Sítio Tabocas, no município de Brejo da Madre de Deus. Em 1993 veio para Garanhuns, falecendo em 26 de setembro de 2010. 
     
     
   

    

terça-feira, 2 de agosto de 2016

GERENTE DA UNIDADE DE NEGÓCIO DA COMPESA DO AGRESTE MERIDIONAL AUTORIZA FIXAÇÃO DE PLACA NO CENTENÁRIO DA HECATOMBE. 

Dr. Igor Galindo 

  O Dr. Igor Galindo, Gerente de Negócio da Compesa do Agreste Meridional, através do Ofício nº 08/2016 informou a Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe que a Diretoria da Compesa após avaliar o pedido da Comissão para a fixação de uma placa no prédio da Compesa, onde funciona a Loja de Atendimento em Garanhuns, e que era a antiga cadeia onde ocorreram os fatos da Hecatombe de Garanhuns, autorizaram a fixação da mesma no dia 15 de janeiro de 2017, data do centenário da Hecatombe de Garanhuns.   
Loja de Atendimento da Compesa (antiga cadeia, onde ocorreu a Hecatombe)


  A Comissão do Memorial da Hecatombe, ao fazer a solicitação entregou um resumo histórico da Hecatombe de Garanhuns e algumas fotos da antiga cadeia, que foram avaliadas pela Diretoria da Compesa. 
  Ao Dr. Igor Galindo e a toda Diretoria da Compesa os nossos agradecimentos pela sensibilidade com a importância do registro histórico no referido prédio e pelo acolhimento polido a nossa solicitação. 
    

segunda-feira, 25 de julho de 2016

INSTITUTO HISTÓRICO E COMISSÃO DA HECATOMBE PARTICIPAM DOS 101 ANOS DE ALGODÕES

  Ontem, 24 de julho, Algodões, 2º Distrito de Sertânia, completou 101 anos de sua existência, nesta data histórica, os membros do IHGG e Comissão do Memorial da Hecatombe, Maxwel, Junior e Cláudio Gonçalves, participaram a convite do escritor Cândido Rocha das festividades do aniversário daquele belíssimo Distrito.  
Casa onde residiu Dr. Rocha Carvalho
   Os membros do IHGG e Comissão do Memorial da Hecatombe tiveram a oportunidade de conhecer o lugar onde o Dr. Rocha Carvalho, que disputou a eleição de 1916 em Garanhuns, viveu seus últimos dias de vida. 
  O escritor Cândido Rocha, relatou que no final de 1917, o Dr. Rocha Carvalho, chegava a Algodões, devido a todas as ameaças e perseguições que sofreu durante o processo da Hecatombe de Garanhuns. Em Algodões construiu a sua residência e o primeiro posto de saúde do Sertão, atendendo as pessoas mais carentes dos povoados vizinhos, diversas vezes dispensando os honorários.  Dr. Rocha Carvalho também foi um dos moradores que foi de fundamental importância para a construção e inauguração da Igreja de São Sebastião em Algodões em 1922. Sempre caridoso e prestativo, realizou vários trabalhos sociais, falecendo em 27 de março de 1925, após contrair a tuberculose, resultado de pacientes que estavam com a doença, mas que o Dr. Rocha não se recusava em atender. Em sua homenagem foi dada o nome a uma rua de Algodões. O Dr. Rocha Carvalho foi sepultado no cemitério Parque das Lágrimas, local onde na lápide do seu túmulo está registrado: José da Rocha Carvalho, 19/03/1889 - 27/03/1925. 
Igreja de São Sebastião
  O final das festividades foram marcadas com o lançamento do livro Algodões: Seu Povo e sua História, de autoria do escritor Cândido Rocha no Clube Recreativo de Algodões. Estiveram presentes moradores, professores e autoridades. Um momento emociante, e que na oportunidade o professor Cláudio Gonçalves, representando o IHGG e Comissão do Memorial da Hecatombe de Garanhuns, foi convidado a mesa, depois discursando sobre a importância do livro para o resgate histórico de Algodões, o trabalho que o Instituto Histórico de Garanhuns vem desempenhando nesse sentido e o centenário da Hecatombe de Garanhuns, relembrando a passagem do Dr. Rocha de Carvalho pelo município de Garanhuns no período que antecedeu a Hecatombe.
   Depois do lançamento foi oferecido um coquetel aos convidados e para celebrar os 101 anos de Algodões foi cantado os parabéns e cortado um bolo. 
  Ao escritor Cândido Rocha e todos os moradores de Algodões agradecemos pela recepção e a oportunidade de conhecermos um pouco da sua História e de seu morador ilustre Dr. José da Rocha Carvalho.  
                       
Túmulo do Dr. Rocha Carvalho
      
Junior, Maxwel, escritor Cândido Rocha e Cláudio Gonçalves. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

            
            UM PEDACINHO DA ITÁLIA EM GARANHUNS
                                  A TRADICIONAL FAMÍLIA DILETIERI
 
                            


    A tradicional família italiana, os Diletieri, chegaram ao Brasil em 1908, aportando no Rio de Janeiro em um navio de imigrantes. Depois Nicolau Diletieri, sua esposa Maria Diletieri e seus filhos: Angela, Miquelina, Carmen, Inês e Domingos Diletieri Primo, também carinhosamente chamado pela família de Duda, vieram para Garanhuns, onde iniciaram a sua vida comercial.
  Motivado pelas notícias que eram remetidas a família na Itália por Nicolau Diletieri sobre o clima, as belezas naturais e a prosperidade da cidade de Garanhuns, seu sobrinho Domingos Diletieri decidi vir com a sua esposa Anna Maria Diletieri Rizzuto, seus filhos Angelina, Alice, Gerusa, Giuseppe, seu irmão Pietro Rocco, conhecido por Roque e o seu tio Angelo Diletieri residir na Terra do Clima Maravilhoso.   
   Não demorou muito tempo para que Nicolau e Domingos Diletieri se tornassem comerciantes de destaques em Garanhuns. Nicolau Diletieri com sua loja de tecidos, armarinhos, ferragens, secos e molhados, localizada na Rua Severiano Peixoto, e Domingos Deletieri com seu armazém de cerais, secos e molhados na Rua do Comércio, a Rua Grande ou Santo Antônio, atualmente as lojas Mundo Infantil e Ômega. 

  Na Hecatombe de Garanhuns, a família Diletieri não tiveram nenhuma participação, também não sofreram ameaças, mas três episódios marcaram a vida da família naquela triste segunda-feira de 15 de janeiro de 1917. O primeiro episódio foi quando os jagunços saiam pelos portões dos fundos da residência da casa de Ana Duperron, portões que davam acesso a Rua do Cajueiro, naquele momento Domingos Diletieri estava na casa do seu tio Nicolau quando por uma das frestas de uma veneziana testemunhou a passagem daqueles homens que atacariam a cadeia minutos depois, contando ele ao todo vinte três homens armados.
  O Segundo episódio aconteceu logo após o ataque à cadeia. O delegado Meira Lima obrigou Nicolau Diletieri a receber em sua casa os jagunços feridos, onde estava um médico que foi providenciado pelo oficial. Na casa de Nicolau Diletieri foi socorrido o bravo sargento Pedro Malta, que conseguiu escapar ao ataque com um leve ferimento no ombro.
  O terceiro episódio e que marcou uma das maiores injustiças no processo da Hecatombe de Garanhuns foi à prisão de Nicolau Diletieri, indiciado pelo juiz Francisco Ribeiro Pessoa de fornecer querosene para os jagunços incendiarem as casas comerciais dos adversários políticos de Júlio Brasileiro, o mesmo ocorrendo com o capitão Thomaz Maia. Sendo presos, mas após provarem a inocência foram soltos meses depois.  
Casa de Domingos Deletieri, primeira a direita. 
  Domingos Diletieri passado alguns meses da Hecatombe de Garanhuns acabou comprando a casa de Mirandolina Souto de Miranda, viúva de Argemiro Miranda, casa que ficava na Rua do Jatobá, atualmente onde funciona a agência dos Correios, localizada na Praça Jardim. Domingos Deletieri e Argemiro Miranda eram bons amigos e juntos foram fundadores da União Comercial em 1909, sendo Nicolau Diletieri o seu primeiro tesoureiro.  


  Colaboração: Gerusa Diletieri Mota Lessa, neta de Domingos Deletieri. Extraordinária profissional na Educação e inestimável amiga. 
Gerusa Deletieri.